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História da Visão Animal

18 de novembro de 2020 · Visão e comportamento · Leitura de 5 min

História da Visão Animal

Desde que se tem conhecimento da existência de vida na terra, registros demonstram que a maioria dos seres vivos possuíram e possuem o órgão que conhecemos e que possui a denominação de olho.  Este órgão é responsável pela visão, sentido que norteou e possibilitou a manutenção da vida de milhares de espécies no decorrer de milhões de anos.

Ao longo de muitos anos, vários pesquisadores estudavam sobre a visão, sua composição física e química dentro das várias espécies de seres vivos pesquisados ao longo dos anos. Além de estudos com seres vivos atuais, muitos fósseis foram estudados com o intuito de compreender como era a visão dos seres vivos no início da vida na terra, porém, a falta de um fóssil que tivesse mantido a preservação das estruturas superficiais dos olhos,  dificultava o estudo mais aprofundado sobre a visão de seres vivos mais antigos da terra.

Apesar da falta de peças que demonstrassem como a visão evoluiu ao longo dos anos, muito desenvolvimento aconteceu acerca das doenças oftalmológicas que acometem os seres vivos.

Procedimentos cirúrgicos para prevenção e manutenção da visão foram desenvolvidos pela ciência desde sua face mais primária como, por exemplo, a invenção dos óculos. Não os óculos que conhecemos hoje, mas, os que já auxiliavam Nero em Roma entre os anos 54 à 68 d.C.  Estudos descrevem que Nero possuía um problema na visão e por isso, foi elaborado uma espécie de “óculos” composto por lentes de esmeralda e sustentadas por um anel no dedão.

Sobre a doença Catarata, que acomete tanto animais de estimação como seres humanos, pesquisas apontam que desde os séculos XI estudiosos já procuravam restituir a visão de pacientes cegos pela doença. Nesse período o procedimento utilizado era o deslocamento do cristalino opacificado com uma agulha para abrir uma fenda e assim restituir parte da visão.

A história da visão recebeu um novo capítulo em 2011 quando o cientista da  Universidade da Nova Inglaterra, nos EUA, John Paterson e seus colaboradores  encontraram um par de olhos, com superfícies preservadas,  pertencentes à um fóssil descoberto na Ilha do Canguru, na costa da Austrália, de um animal que viveu 515 milhões de anos atrás. O par de olhos pertence ao Anomalocaris, que em latim significa camarão estranho, que viveu à aproximadamente 515 milhões, sendo considerado o primeiro grande predador da história que viveu no fim da era geológica paleozóica. Esta descoberta permitiu aos cientistas confirmarem as suspeitas de que a visão foi e é um sentido estruturante para a evolução e permanência da espécie da maioria dos seres vivos na terra, durante o processo evolutivo.

De acordo com John Paterson e sua equipe,  o olho do fóssil media de 2 a 3 centímetros  e era composto por aproximadamente 16 mil lentes, sendo considerado até o momento um dos olhos com mais lentes que já existiram, “Os cientistas disseram também que a visão desse animal era precisa e sofisticada, e serviu como uma arma para que ele se mantivesse no topo da cadeia alimentar. (G1 São Paulo).

“A visão aguçada do Anomalocaris provavelmente o permitia procurar sua presa nas camadas superiores do oceano, bem iluminadas.

Os primeiros artrópodes – o grupo que abriga os insetos, aranhas e o Anomalocaris – provavelmente tinham olhos compostos. Para utilizar esses olhos, o Anomalocaris tinha que ter um cérebro razoável. E, de fato, evidências moleculares sugerem que estruturas chave do cérebro humano vêm desde os primeiros animais complexos, a pelo menos 600 milhões de anos – muito antes do estranho camarão.

Ainda não é claro o que o Anomalocaris comia. Paterson aponta para marcas de mordida e outros ferimentos encontrados em trilobitas (artrópodes) do período, o que pode indicar ataques do predador. Mas também existem sugestões de que sua boca era fraca demais para quebrar conchas, e, nesse caso, ele devia procurar por animais moles.

Peterson afirma que a ameaça do camarão deve ter forçado outras espécies, presas e outros predadores a evoluir rapidamente. Conchas duras eram um caminho óbvio, e surgiram logo depois.” (https://hypescience.com).

A descoberta da composição ocular da visão do Anomalocaris, foi um extraordinário capítulo escrito na história da visão animal, porém, acredita-se que há ainda vários capítulos à serem escritos na história da visão com às novas descobertas que serão realizadas pela ciência no futuro.  Descobertas essas, que irão auxiliar no aparecimento de procedimentos cirúrgicos, próteses e medicamentos para a medicina oftalmológica.

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